Carlos Lamarca
Carlos Lamarca nasceu no Rio de Janeiro em 27 de Outubro de 1937. Em 1954, aos 17 anos, é admitido na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre. Em 1959, casa-se às escondidas com Maria Pavan, que estava grávida. Em 5 de Maio de 1960 nasce César Lamarca, 2 anos depois, a segunda filha, Cláudia. Teria seguido a carreira militar, como tantos colegas seus o fizeram, não fosse o fato de ele não aceitar a maneira como os militares usavam o exército para reprimir o povo, quando este gritava por seus direitos. Após alguns atos de insubordinação “leve”, ele radicalizou e em 24/01/1969 fugiu do quartel de Quitaúna levando numa kombi, 63 fuzís FAL, 3 metralhadoras e munição. Este fato marcou seu rompimento com o exército e sua entrada para a clandestinidade. Conheceu os principais militantes revolucionários, e leu clássicos comunistas, como Marx, Tolstoi e Trotski.
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José Campos Barreto (Zequinha) era o mais velho dos 7 filhos do casal José Araújo Barreto e Adelaide Campos Barreto (Dona Nair), responsável pela construção da igreja do Burití Cristalino (município de Brotas). Zequinha estudou no Seminário de Garanhuns, Pernambuco, e todos os anos, no mês de dezembro, vinha visitar a família. Numa dessas visitas (1963) não voltou mais para o seminário: ficou um ano trabalhando na roça e depois foi para São Paulo.

Em 1965 serviu o exército, no Quartel de Quitaúna. Fez amizade com vários líderes operários, participou de greves e manifestações. Numa greve, dia 17 de julho de 1968, com as tropas da Polícia Militar ameaçando invadir a Cobrasma (empresa onde Zequinha trabalhava), ele correu ao depósito de gasolina e ameaçou explodir a fábrica. Na confusão, muitos operários e grevistas conseguiram fugir. Zequinha ficou preso 98 dias.

Foi solto, e retornou ao Buriti levando os jornais. Olderico fica sabendo do acontecido, viajam os dois para São Paulo, onde Zequinha milita na VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Daí mudam para Salvador, onde Olderico trabalha como motorista, e retornam ao Buriti. Com a morte de Dona Nair, eles se separam, indo Olderico para São Paulo e Zequinha para o Rio, onde milita na VAR- Palmares (dissidência da VPR). Decide mudar do Rio para Salvador e convence Olderico a acompanhá-lo. Lá aproxima-se do MR-8.

Com o endurecimento da repressão era necessário a transferência e deslocamento de alguns “quadros” para um local mais seguro. Como Zequinha já era de confiança dentro do MR-8, sugeriu-se a transferência de Lamarca do Rio para o sertão, o Buriti Cristalino era o local perfeito.

29 de junho de 1971 – Lamarca chega ao Buriti, juntamente com Santa Bárbara (um militante de Feira de Santana). Ficou escondido lá por dois meses, até que em 26 de agosto os militares da repressão, chefiados pelo então major Nilton Cerqueira e auxiliados pelas autoridades de Brotas, invadem o Buriti promovendo o horror e a violência contra a família de Zequinha. Otoniel é morto, Santa Bárbara suicida-se, seu José é barbaramente torturado, Olderico tem o dedo estraçalhado e o rosto atigido por uma bala, enquanto Zequinha e Lamarca fogem embrenhando-se na caatinga, conseguindo despistar seus perseguidores. Os militares então, suspendem as buscas, e retornam a seus postos.

Recebendo informações de moradores das redondezas, os militares voltam a região e retomam as buscas. Os dois são descobertos em Pintada (localidade de Brotas) e assassinados pela repressão, a 17 de setembro. Seus corpos foram levados à Brotas e expostos como troféu, fato que aterrorizou a população da cidade.

Fonte:
Lamarca, o capitão da guerrilha
Global Editora
Oldack Miranda e Emiliano José